Conto

Quando o acaso sorriu

Lohana Souza10 de setembro de 2026 1 min de leitura

Ela nunca acreditou muito em coincidências.

Para ela, as coisas simplesmente aconteciam. Algumas por escolha, outras porque tinham que acontecer. Mas naquela tarde, quando entrou naquela pequena cafeteria para fugir da chuva, tudo mudou. O lugar estava quase vazio. Ela escolheu uma mesa perto da janela, abriu seu livro, e tentou ignorar o barulho da chuva batendo no vidro. Até ouvir uma voz:
– Essa mesa está ocupada?
Ela levantou os olhos. Um garoto segurava uma xícara em uma mão e um guarda-chuva molhado na outra.
– Não – respondeu ela, sorrindo de leve.
Ele se sentou. Por alguns segundos, nenhum dos dois falou. E estranhamente, o silêncio não era desconfortável.
Até que ele apontou para o livro dela.
– Você gosta mesmo dessa história? Ela riu.
– Como você sabe?
– Você está na mesma página há uns 10 minutos.
Ela olhou para o livro e percebeu que tinha razão.
– Talvez eu esteja distraída.
– Talvez. Ela fechou o livro.
– E você? Sempre observa tanto as pessoas?
Ele sorriu.
– Só quando alguém chama a minha atenção.
Ela sentiu o rosto esquentar e olhou para a janela. A chuva continuava forte. Eles conversaram durante horas sobre músicas, sonhos, livros e lugares que queriam conhecer. Quando perceberam, a chuva já havia parado. Ele se levantou.
– Acho que preciso ir.
Ela assentiu, tentando esconder o que sentia. Antes de sair, ele pegou um guardanapo e escreveu alguma coisa.
– Caso o acaso queira repetir isso.

Era o número de telefone. E embaixo, ele escreveu uma frase.
– “Talvez algumas coincidências sejam só o começo de uma história.”
Ela sorriu quando leu. Naquele dia, ela finalmente percebeu que estava errada. Talvez coincidências existissem. E talvez aquele encontro não tivesse sido por acaso. Talvez tivesse sido o primeiro capítulo.

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