Conto
O homem que perdeu o ponto final
Seu Osvaldo começou uma frase numa quarta-feira de 1998 e nunca mais a terminou.
Começou dizendo "olha, eu acho que a vida" e nesse ponto o ônibus passou, a filha chamou, o cachorro fugiu, o telefone tocou, e a frase ficou pendurada no ar como roupa esquecida no varal.
Anos depois, no hospital, ele segurou minha mão e disse: "é isso." Só isso. E eu entendi que era o ponto final chegando com vinte e seis anos de atraso.

