A última carta.
Em uma pequena cidade, onde todos se conheciam, vivia uma jovem que amava escrever para aliviar a saudade. Todas as cartas eram destinadas a seu amor de infância, Rafael. O mesmo, partira anos antes em busca do sonho de ser radialista. Ao longo dos anos, Luiza (a jovem) escrevia, mas nunca mandava. Afinal, para ela, algumas coisas são melhores quando guardadas na imaginação.
Enquanto isso, Rafael carrega suas memórias também. Ao passar café, sentia o cheiro de Luiza, ao deitar, à via deitada. A via, nas pequenas coisas, em cada olhar. Levando à esperança de encontrá-la.
Os anos passaram depressa e Luiza nunca sentiu segurança para mandar as cartas a seu amor. Na sua cabeça pensava “Será que ele me achará ridícula de ainda lembrar de um amor de infância? E se estiver casado?” Na sua cabeça passava um mar de possibilidades. Rafael, do outro lado do mundo, jamais esqueceu de seu amor. Estando no auge de sua vida profissional, com tudo completo, ou melhor, quase tudo! Ele jamais se esqueceu de Luiza, nem mesmo por um segundo, seu único e verdadeiro amor.
Luiza casou-se com outro homem, mesmo jamais esquecendo sua “metade da laranja”. Mesmo casada, seu passado parecia ainda era escrever. Seu marido e filhos nem ligavam; achavam estranho, mas eram prepotentes demais para lembrar da única mulher da casa.
Um dia, Luiza ouviu o rádio, e a notícia era das piores. O jornal dizia que um dos homens mais conhecidos da cidade e que havia feito uma carreira de sucesso internacional morreu, abraçado com uma caixa de madeira em meio a um naufrágio. A caixa continha cartas que ninguém leria,afinal, as cartas haviam sido borradas pela água.
Noites depois, Luiza decidiu escrever a última carta. Afinal, seu amor jamais leria e tampouco saberia que ela lembrava dele.
Hoje, a caixa de cartas está empoeirada em uma velha estante. E talvez, a vida seja uma constante oscilação de desejos reprimidos e falta de coragem.
