CrônicaDestaque da semana
A casa da Rua das Palmeiras
A casa da Rua das Palmeiras tinha uma janela que nunca fechava direito.
Minha avó dizia que era assim de propósito, para o vento entrar e levar embora o que a gente não conseguia falar em voz alta. Eu tinha oito anos e acreditava.
Quando a demoliram, em uma terça-feira comum, ninguém do bairro apareceu. Só eu, do outro lado da rua, contando os tijolos como quem conta os anos.
Ainda hoje, quando passo ali, a janela range. Não existe mais janela. Mas ela range.

